MANDALA

Resumo: Jung vê as mandalas como representações simbólicas da psique e adotou o conceito dentro da Psicologia Analítica, como imagens representantes do Si Mesmo, símbolos arquetípicos emitidos do inconsciente coletivo como representação da necessidade de totalidade e de perfeição que o homem possui. Pode ser utilizada como artifício terapêutico na reintegração de personalidades despedaçadas. Na psicologia, as mandalas representam a unidade e a totalidade da psique, a integração dos opostos, masculino e feminino, a união do consciente ao inconsciente, a relação do homem com a natureza. Veem-se conteúdos “mandálicos”, portanto arquetípicos, aparecerem espontaneamente nas representações feitas nos cenários montados na caixa de areia. Podemos reconhecê-los quando, dada nossa convivência e observação do paciente, sabemos que tais conteúdos não fazem parte de sua vida pessoal, nem cultural. Eles surgem espontaneamente como uma pulsão integrativa e são importantes símbolos do desenvolvimento da consciência humana, pois tocam no mais profundo do ser. No Sandplay, podemos reunir a vida e a arte, a história e a mitologia, o sagrado e o profano, num mesmo espaço, diferentemente do que vemos hoje, […]

MORCEGO

Resumo: O morcego caracteriza-se como um dos mais misteriosos e controversos animais. Em minha experiência profissional com sandplay, o morcego é escolhido em momentos muito particulares, por ser um animal que carrega frequentemente projeções sombrias relacionadas a suas características biológicas. Vivências traumáticas encontram-se frequentemente alojadas em uma área da psique, particularmente sombria, uma vez que a dor que a acompanha procura um lugar distante da consciência como mecanismo de defesa. Assim sendo, o estudo do morcego conecta-se com a compreensão de dinâmicas que envolvem trauma e resiliência e seu simbolismo torna-se desafiador e necessário para amplificações e compreensão de seus variados aspectos. A parte I deste estudo descreve suas principais características biológicas que dão suporte a diversas projeções sobre este animal. A parte II apresenta alguns de seus aspectos simbólicos mais importantes. Iniciando com alguns mitos de origem que apontam a aparência e a condição de vida do morcego como resultado de um castigo ou punição por traição, orgulho ou preguiça. Portanto, temos o morcego como possibilidade de elaboração da sombra, da ingenuidade e das ilusões […]

NAVE ESPACIAL

Resumo: O estudo simbòlico do foguete/nave espacial nos remete ao interesse e a conquista do homem pelo ar, presente desde o homem arcaico, quando este contemplava o céu, observava o voo dos pássaros e sonhava em voar como eles. Podemos dizer que este arquétipo do movimento e da busca pelo novo traz ao homem tanto aspectos positivos à sua história como aspectos desastrosos. O homem começa por experimentar o transpessoal fora de si mesmo, isto é, projetado sobre os céus ou o mundo dos deuses, e termina por introjetá-lo e torná-lo um conteúdo psíquico pessoal. Na fantasia projetiva do foguete, há a ampliação de seu alcance para além do ambito terrestre, isto é, para o espaço cósmico no qual outrora os senhores do destino eram os deuses e tinham sua sede nos planetas. O pedido de ajuda está dirigido ao espaço, o aperto gera medo que busca ajuda no espaço estraterrestre, já que a terra não a fornece. O foguete está relacionado ao ar, ao elevar-se, à liberdade de movimentos e à transcendência. Na alquimia, […]

OS RETIRANTES

Resumo: A miniatura chamada “Os Retirantes” foi criada na década de 1930, pelo escultor pernambucano Vitalino dos Santos. Vitalino, de origem humilde,  alcançou fama no século passado por retratar, em pequenas peças de barro, cenas do quotidiano e da cultura da região nordeste do Brasil. Essas miniaturas fizeram tanto sucesso que começaram a ser copiadas por outros artesãos de Caruaru, terra de Vitalino, e posteriormente por artesãos do nordeste, para serem vendidas como souvenirs para os turistas. Vitalino criou um grande número de cenas, e os artesãos que vieram depois dele não só as copiaram como criaram outras, no mesmo estilo, atualizando os temas. No entanto, “Os Retirantes” pode ser considerada uma peça clássica, que dificilmente falta a uma boa coleção de miniaturas nordestinas. A autora incorporou várias dessas miniaturas à coleção de Sandplay, por possuírem uma carga emocional bastante forte e serem símbolos da cultura brasileira. Os Retirantes são bastante utilizados, muitas vezes por pessoas que desconhecem seu significado histórico, mas que possuem uma história familiar de migração. A peça “Os Retirantes” foi concebida originalmente […]

PIPOCA

Resumo: Com o intuito de compreender a pipoca como símbolo, o presente estudo buscou compilar uma multiplicidade de informações. Desse modo, foram descritas as características e o cultivo do grão zea maiz inverta e, sua utilização contemporânea nas áreas da nutrição e ciência ambiental. Para apreender a pipoca no imaginário coletivo, buscou-se as narrativas míticas dos povos Iroquês e Ioruba. Os aspectos simbólicos do fogo também foram abordados, pois ele é elemento fundamental para a conversão do grão de milho em pipoca. Também alguns paralelos simbólicos de elementos inerentes a pipoca, como o “estouro”, o “avesso” e a conversão de “grão duro em massa macia” foram relacionados respectivamente com os conceitos de complexo, sombra e a operação alquímica da calcinação – calcinatio. Diante da apresentação de dois casos clínicos nos quais a pipoca foi utilizada como miniatura em cenas da terapia de sandplay, foi possível inferir que a pipoca pode simbolizar a configuração de uma disposição interna  que leva ao confronto com o “avesso”. Consequentemente, esse confronto tende a favorecer a dissolução de complexos psíquicos. Mais […]

SAUDADE

Resumo: Este trabalho, procura compreender a  importância da saudade no luto,  dado que o confronto com a morte é inerente ao processo de individuação, e está presente em qualquer  situação analítica. Através da observação ficam claros dois tipos de saudade: Saudade externa e concreta, voltada para o objeto da dor, e saudade interna e simbólica, voltada para a internalização do objeto. A interrelação entre esses dois tipos de saudade é discutida através das seguintes operações alquímicas: mortificatio, calcinatio, solutio, coagulatio, separatio, sublimatio e coniunctio. Durante a elaboração da perda, duas forças lutam em sentido contrário: por um lado, para o inconsciente a morte é uma etapa natural da vida; por outro, para o consciente, pelo menos na nossa cultura ocidental, a morte é sentida como interrupção da vida. É a saudade que vai ajudar a aproximação e confrontação destes opostos, fazendo surgir a função transcendente, que tem por objetivo restaurar o equilíbrio no nível psíquico e energético. Mais informação: machadozilda1942@gmail.com