PIPOCA

Resumo: Com o intuito de compreender a pipoca como símbolo, o presente estudo buscou compilar uma multiplicidade de informações. Desse modo, foram descritas as características e o cultivo do grão zea maiz inverta e, sua utilização contemporânea nas áreas da nutrição e ciência ambiental.

Para apreender a pipoca no imaginário coletivo, buscou-se as narrativas míticas dos povos Iroquês e Ioruba. Os aspectos simbólicos do fogo também foram abordados, pois ele é elemento fundamental para a conversão do grão de milho em pipoca. Também alguns paralelos simbólicos de elementos inerentes a pipoca, como o “estouro”, o “avesso” e a conversão de “grão duro em massa macia” foram relacionados respectivamente com os conceitos de complexo, sombra e a operação alquímica da calcinação – calcinatio. Diante da apresentação de dois casos clínicos nos quais a pipoca foi utilizada como miniatura em cenas da terapia de sandplay, foi possível inferir que a pipoca pode simbolizar a configuração de uma disposição interna  que leva ao confronto com o “avesso”. Consequentemente, esse confronto tende a favorecer a dissolução de complexos psíquicos.

Mais informação: maritaliba@me.com.

MORCEGO

Resumo: O morcego caracteriza-se como um dos mais misteriosos e controversos animais. Em minha experiência profissional com sandplay, o morcego é escolhido em momentos muito particulares, por ser um animal que carrega frequentemente projeções sombrias relacionadas a suas características biológicas. Vivências traumáticas encontram-se frequentemente alojadas em uma área da psique, particularmente sombria, uma vez que a dor que a acompanha procura um lugar distante da consciência como mecanismo de defesa. Assim sendo, o estudo do morcego conecta-se com a compreensão de dinâmicas que envolvem trauma e resiliência e seu simbolismo torna-se desafiador e necessário para amplificações e compreensão de seus variados aspectos. A parte I deste estudo descreve suas principais características biológicas que dão suporte a diversas projeções sobre este animal. A parte II apresenta alguns de seus aspectos simbólicos mais importantes. Iniciando com alguns mitos de origem que apontam a aparência e a condição de vida do morcego como resultado de um castigo ou punição por traição, orgulho ou preguiça. Portanto, temos o morcego como possibilidade de elaboração da sombra, da ingenuidade e das ilusões irreais, convidando a consciência a um processo construtivo no desenvolvimento.  É frequente que se projete sobre o morcego um lado espiritual sombrio devido às suas características de habitante da noite e de sua excelente capacidade de se guiar bem na escuridão total. Assim, permite estabelecer facilmente uma associação com demônios e bruxas descrito em detalhes no item aspecto maléfico. Por outro lado, os aspectos benéficos do morcego referem-se basicamente às qualidades de proteção e sorte. Por ser um animal de hábitos noturnos que enxerga onde não há luz e faz uso de um sofisticado mecanismo de orientação, torna-se representativo de um recurso intuitivo de sobrevivência, capaz de vigiar e proteger. A ideia fantasiosa de que o morcego possui uma dupla natureza, mamífero e ave, pode ser encontrada em várias histórias nas quais se aproveita desta condição para obter certas vantagens. Outro aspecto positivo deste animal pode ser visto no item poder de cura e proteção pois era usado como amuleto de proteção contra os poderes do demônio e como objeto que trazia boa sorte. Batman, herói que viveu a experiência traumática da morte de seus pais e que, em sua jornada, aponta para a necessidade de integração de qualidades consideradas sombrias pela cultura para o desenvolvimento do potencial e criatividade do ser humano. Por fim, Drácula com seu aspecto ameaçador e vampiresco tão frequentemente presente nas relações humanas. O morcego como um símbolo de muitas facetas pode contribuir significativamente para a compreensão de um processo quando emerge em material analítico. Pode transportar-nos para profundezas, mistérios e ambientes desconhecidos a serem visitados. Pode auxiliar no contato com as dores escondidas e na retomada de recursos sob o cuidado, proteção e testemunho do analista de sandplay. Embora muitos outros aspectos possam ser considerados em seus estudos, espero que este trabalho possa contribuir para ampliar a visão simbólica deste animal tão intrigante.

Mais informações: nsauaia@yahoo.com.br

ALQUIMIA

Resumo: Este artigo traça um paralelo entre os estágios e as principais operações da obra alquímica, ao redor das quais se estrutura o processo de individuação experimentado pelo método Sandplay.

Seguindo a contextualização teórica de C.G.Jung e Edward F. Edinger é demonstrado por meio de imagens de Sandplay, os processos alquímicos que estão em evidência em cada imagem, o momento presente do paciente e os conteúdos psíquicos que estão sendo elaborados.

Maiores  informações: ednalevy@uol.com.br

AMPULHETA

Resumo: Este estudo, qualitativo, discute o valor da ampulheta como símbolo moderador e compensatório de processos unilaterais da experiência com o tempo, buscando nas raízes arquetípicas uma compreensão da força carreadora deste símbolo para o processo terapêutico. Sabe-se que a abordagem teleológica junguiana trata a imagem simbólica como possível ativadora de forças psíquicas, agregando a elas um sentido próprio dentro do processo psíquico, daí a importância do método da amplificação para o trabalho analítico e para o Sandplay. A simbologia da ampulheta valoriza o encontro sincronístico entre o tempo linear de Kronos e o tempo simbólico de Kairós, conjunção esta que traz ao processo terapêutico mais fluxo, moderação e transformação no lugar de impasse e estagnação. Neste percurso, cada repetição leva a um novo lugar, a uma nova síntese, a um novo ponto na espiral do desenvolvimento, facilitando e refinando o intercâmbio e possível integração dos opostos. Finalizamos este estudo concluindo que ao objetivar conteúdos do inconsciente, em um ato do próprio indivíduo, neste caso, através da experiência do Sandplay, as imagens internas podem operar em conjunto com o consciente. Como Jung elucida, a compreensão intelectual e emocional das imagens também possibilita ao paciente uma integração consciente, não só racional, mas também moral.

Mais informação: rogerel@terra.com.br