MANDALA

Resumo: Jung vê as mandalas como representações simbólicas da psique e adotou o conceito dentro da Psicologia Analítica, como imagens representantes do Si Mesmo, símbolos arquetípicos emitidos do inconsciente coletivo como representação da necessidade de totalidade e de perfeição que o homem possui. Pode ser utilizada como artifício terapêutico na reintegração de personalidades despedaçadas. Na psicologia, as mandalas representam a unidade e a totalidade da psique, a integração dos opostos, masculino e feminino, a união do consciente ao inconsciente, a relação do homem com a natureza. Veem-se conteúdos “mandálicos”, portanto arquetípicos, aparecerem espontaneamente nas representações feitas nos cenários montados na caixa de areia. Podemos reconhecê-los quando, dada nossa convivência e observação do paciente, sabemos que tais conteúdos não fazem parte de sua vida pessoal, nem cultural. Eles surgem espontaneamente como uma pulsão integrativa e são importantes símbolos do desenvolvimento da consciência humana, pois tocam no mais profundo do ser. No Sandplay, podemos reunir a vida e a arte, a história e a mitologia, o sagrado e o profano, num mesmo espaço, diferentemente do que vemos hoje, quando a sociedade tem um espaço reservado para cada gênero de vida e um modelo convencional para cada pessoa. O Sandplay visto sob este ângulo, torna-se tão integrador quanto uma mandala. As mandalas, quando aparecem nos cenários, sonhos e pinturas podem expressar um potencial para a totalidade o qual pode ser observado nas diversas tradições religiosas e culturais. São igualmente utilizadas como meditação e modo de integrar a consciência individual com o Si Mesmo. Elas também podem aparecer em indivíduos que estão fragmentados, como uma compensação da perturbação psíquica, fornecida pela ordem rigorosa de seus elementos. Os cenários de mandala, onde se vivencia a experiência do Si Mesmo, em geral têm um efeito atrativo sobre o observador, por serem cenários belíssimos, mas mesmo quando isto não ocorre, há sempre o sentimento da experiência. Estes cenários mostram um movimento da energia psíquica tanto de profundidade quanto de superfície, para o alto e para baixo, para direita e para esquerda, integrando todas as direções e canalizando-as para que possam fluir conforme a necessidade do eu, de modo a ativar o centro organizador de toda a personalidade – o Si Mesmo, cuja função é equilibrar e padronizar os arquétipos e toda a vida do ser humano. Como o Si Mesmo simboliza a totalidade, a imagem de Deus, como afirma Jung, as mandalas são um de seus símbolos típicos. O símbolo da mandala é igualmente representativo do processo de individuação, pois nos remete a um movimento em direção à totalidade, visto que possui a síntese dos opostos e a integração de imagens conscientes e inconscientes. Sempre que observarmos um cenário na forma de mandala, devemos observar se a pessoa já tem um eu estruturado ou não. A terapia fundamentada no Sandplay, por oferecer um espaço “livre e protegido”, possibilita uma regressão saudável do indivíduo a fases primitivas em que ocorrera bloqueio no desenvolvimento psíquico, contribuindo para que a pessoa possa ir estruturando seu eu e restabeleça a comunicação com o Si Mesmo, retomando o seu desenvolvimento psíquico.

Mais informação: rewh@uol.com.br. 

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