AMPULHETA

Resumo: Este estudo, qualitativo, discute o valor da ampulheta como símbolo moderador e compensatório de processos unilaterais da experiência com o tempo, buscando nas raízes arquetípicas uma compreensão da força carreadora deste símbolo para o processo terapêutico. Sabe-se que a abordagem teleológica junguiana trata a imagem simbólica como possível ativadora de forças psíquicas, agregando a elas um sentido próprio dentro do processo psíquico, daí a importância do método da amplificação para o trabalho analítico e para o Sandplay. A simbologia da ampulheta valoriza o encontro sincronístico entre o tempo linear de Kronos e o tempo simbólico de Kairós, conjunção esta que traz ao processo terapêutico mais fluxo, moderação e transformação no lugar de impasse e estagnação. Neste percurso, cada repetição leva a um novo lugar, a uma nova síntese, a um novo ponto na espiral do desenvolvimento, facilitando e refinando o intercâmbio e possível integração dos opostos. Finalizamos este estudo concluindo que ao objetivar conteúdos do inconsciente, em um ato do próprio indivíduo, neste caso, através da experiência do Sandplay, as imagens internas podem operar em conjunto com o consciente. Como Jung elucida, a compreensão intelectual e emocional das imagens também possibilita ao paciente uma integração consciente, não só racional, mas também moral.

Mais informação: rogerel@terra.com.br

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